David Reeves, Presidente da Sony Computer Entertainment Europe, acompanha a eu.playstation.com numa viagem pelos destaques da E3 deste ano.
Quais as mudanças a nível de tamanho e âmbito da E3 nos últimos anos?
Em termos globais, a E3 é relevante por tratar-se sempre de um marco para o sector. Embora os representantes do comércio a retalho participem muito menos do que no passado, a imprensa e os meios de comunicação social estão lá à espera de anúncios. A E3 centra-se actualmente em torno de 3 áreas: os anúncios e posteriormente, a um nível bem mais discreto, a apresentação pelas editoras do software disponível. Representa também um importante ponto de encontro, sobretudo entre editoras. No que diz respeito à nossa região, a sua relevância prende-se com o facto dos consumidores desejarem saber em que medida as novidades reveladas (na E3, em Leipzig ou no Tokyo Game Show) irão afectá-los.
Em termos de anúncios, quais são os aspectos-chave para os consumidores europeus?
São três: em primeiro lugar, divulgámos a introdução de um modelo de PlayStation 3 de 80 GB em Agosto/Setembro de 2008. O sistema apresentará as mesmas funcionalidades da versão de 40 GB na Europa, mas o dobro da capacidade do disco rígido. As unidades serão comercializadas por €399 e mais para o fim do ano disponibilizaremos pacotes para o Natal.
Em segundo lugar, temos a estreia da gama Platinum para a PS3, pelo que os jogadores poderão adquirir alguns dos melhores títulos PlayStation 3 a metade do preço.
Finalmente, confirmámos o alinhamento de software para o resto do ano: LittleBigPlanet, a próxima entrega de Buzz!, assim como vários títulos de outras editoras como FIFA, PES, Call of Duty, Guitar Hero entre outros.
Está entusiasmado com os jogos anunciados?
O alinhamento é o melhor até à data e, na verdade, já está parcialmente disponível com os títulos de arranque: GT5 Prologue, GTA IV, Metal Gear Solid 4, SingStar Vol.2, Buzz!, LittleBigPlanet e novamente Buzz!. Além disso, seis ou sete jogos de outras editoras revelaram-se verdadeiros sucessos. Com lançamento agendado temos Resistance 2, MotorStorm: Pacific Rift e, finalmente, Killzone 2 em Fevereiro de 2009. É um conjunto de muita qualidade!
Quais serão as próximas fases no desenvolvimento da PlayStation Network?
Creio que se desenvolverá de duas formas: o seu funcionamento tornar-se-á muito mais fluido e continuaremos a aumentar o conteúdo para transferência. Tendo em conta os projectos das casas de programação europeias e americanas, serão vários os jogos e pacotes de expansão de excelente qualidade a lançar.
Por outro lado, até à data apenas tivemos duas transferências de elevada capacidade (Warhawk e Gran Turismo 5 Prologue); ora, o consumidor poderá - com cada vez mais frequência - escolher entre a transferência de um título ou a compra do Blu-ray Disc. O mesmo se aplica à PSP: estamos a tentar aumentar o número de versões em UMD disponíveis para transferência e o número de jogos transferidos à venda em disco. O consumidor terá a última palavra.
Além disso, queremos que a PlayStation Network se torne num elemento do quotidiano dos jogadores, tal como o acesso a determinados websites através do PC. Queremos que se divirtam, desfrutem e - em certa medida - se sintam chocados.
Que efeito terá esta mudança para a edição em vários formatos sobre o comércio a retalho?
Considero esta transição semelhante à relação entre os lançamentos em DVD e as estreias em cinema - pensou-se que os cinemas iriam desaparecer, mas tal não ocorreu. Na verdade, o público nas salas de cinema aumentou, apesar de, por vezes, existir um intervalo de apenas 3 semanas entre o lançamento em DVD e a estreia nas salas. Por esta razão, não creio que o comércio a retalho se irá ressentir.
A grande notícia é o facto de termos vivido um ano de ouro para a indústria na nossa região. O mercado aumentou de forma espantosa. São cada vez mais os compradores - alguns atraídos pela concorrência (obviamente), outros por títulos como SingStar, Buzz!, Guitar Hero e Rock Band. Trata-se quase de uma revolução. As novidades em termos de desenvolvimento dos últimos anos demonstram uma riqueza de ideias assombrosa.
Qual a importância das aplicações não relacionadas com jogos para que a PlayStation continue na linha da frente desta revolução?
Graças à nossa parceria com o CanalPlus francês, fomos a primeira empresa a comercializar conteúdos não relacionados com jogos (com a PSP). De futuro, continuaremos a centrarmo-nos naquilo que melhor fazemos, os jogos, mas equilibraremos a balança com conteúdos não relacionados, sem nos desviarmos demasiado nessa direcção.
Sucedeu algo semelhante com o PlayStation Home: a sua principal vertente é agora os jogos e a capacidade de lançar jogos através do ambiente do Home e visualizar os troféus obtidos. A verdadeira razão para o adiamento do seu lançamento não se prendeu com um atraso no desenvolvimento, mas com o facto de pretendermos facilitar a integração das editoras. Posso agora afirmar que tudo está a correr como previsto e o lançamento ocorrerá no final do ano.
Como se enquadrará o Home na experiência da PlayStation?
As primeiras pessoas a aderirem ao projecto serão os actuais proprietários de sistemas PlayStation. Ao mesmo tempo e como se pode depreender do sucesso de Facebook e MySpace, as pessoas estão verdadeiramente interessadas nos aspectos de comunidade de determinados websites.
Ora, Home é a nossa comunidade: os utilizadores poderão conversar entre si, entrar em salas de vídeo, jogar jogos. Trata-se de um ponto de encontro, um ponto de partida mais do que um destino. Nesta fase, estamos a canalizar esforços para o desenvolvimento de funcionalidades como o lançamento de jogos e os troféus, mas outras inovações surgirão no futuro.
Qual é a importância do conteúdo gerado pelos utilizadores na comunidade PlayStation?
A nível psicológico, o que fascina as pessoas é a capacidade de se expressarem, de forma artística (escrevendo ou criando algo) ou social (contando a outros o que estão a fazer ou quais são os seus planos). E não podemos esquecer a possibilidade de vender coisas e gerar dinheiro.
Por exemplo, o que estamos a tentar fazer com LittleBigPlanet assemelha-se a um cruzamento entre o iTunes e o eBay, na medida em que o indivíduo ou casa de programação que tenha produzido determinados níveis ou conteúdos adicionais, poderá trocá-los e obter dinheiro. Em última análise, poderemos assistir ao nascimento do primeiro milionário LittleBigPlanet!
Mesmo que cobres menos de 1 euro, se o nível for verdadeiramente sólido, não serão necessárias muitas transferências para obter lucros. É uma excelente forma de mostrarmos o que podemos fazer.
O que reserva o futuro para a PSP?
Sobretudo no Japão, muitas editoras têm criado jogos PSP de segunda e terceira gerações não demasiado longos, mas extremamente interessantes, que deverão estrear na Europa no Ano Novo. Há ainda quatro ou cinco jogos da América que se revelarão grandes sucessos.
Lançámos também Go!View e Go!Messenger e outras aplicações dedicadas verão a luz do dia no próximo ano.
Que oportunidades criará o advento da publicidade nos jogos para a SCEE e PlayStation?
Acho que algumas produtoras se recusarão a incluir publicidade nos seus jogos, como acontece em Pain, mas não me parece que ver alguém pendurado numa garrafa de bebida com uma marca funcionará tão bem em Killzone...
Funcionará melhor como publicidade na Network (semelhante à Internet) - enquanto percorres a PSN, verás anúncios ou informações apresentadas de forma discreta. É possível que os utilizadores da eu.playstation.com ou da PSN venham a aceder gratuitamente a conteúdos em troca da visualização de publicidade.
Qual é a principal conclusão a retirar da E3 para o público na nossa região?
A principal ideia é a de que a PS3 está em constante evolução. Nesta altura, estamos provavelmente a caminhar para a terceira ou quarta mudanças e no próximo ano deveremos passar para a quinta. Estamos apenas a aquecer os motores.
AVISO IMPORTANTE
A partir de 31 de Março de 2009 o serviço Go!Messenger deixará de estar disponível.