Uma visão do paraíso
Entra na nova geração de jogo e narrativa com Heavenly Sword para a PlayStation 3.
Graças ao poder da PlayStation 3, a fronteira entre os jogos de vídeo e os grandes filmes de Hollywood é cada vez mais ténue. Mas é Heavenly Sword (o novo jogo da Ninja Theory e do estúdio de Cambridge da Sony Computer Entertainment) que elimina finalmente essa fronteira com uma fusão incrível de acção, gráficos cinematográficos e desempenhos assombrosos a cargo de um talentoso elenco.
A acção centra-se em Nariko, uma bela guerreira ruiva cujo clã protege há muito a Heavenly Sword, uma arma lendária que esvazia a vida de todos os humanos que a empunham. O maléfico rei Bohan encontra-se obcecado pela espada e, para a conseguir, embarca numa guerra catastrófica contra o povo de Nariko. Num último gesto de desafio contra Bohan, Nariko empunha a espada e resolve vingar-se do rei e do seu exército antes que a Heavenly Sword reclame a sua vida.
Tomada de posição
Assumes o controlo de Nariko durante a maioria do jogo, numa perspectiva de terceira pessoa. A tua arma de eleição é, claro, a Heavenly Sword, que podes utilizar de três formas diferentes dependendo da tua posição. Num ataque normal, a Heavenly Sword divide-se em duas lâminas que possibilitam ataques rápidos, mas poderosos. Se mantiveres premido o botão L1, torna-se num par de lâminas com correntes que te permitem atingir múltiplos inimigos à distância; se mantiveres premido o botão R1, transforma-se numa espada de duas mãos que provoca danos enormes em todos os que forem loucos para atravessarem o seu caminho. À medida que progrides no jogo, desbloqueias novas combinações e movimentos brutais, capazes de arrasar um regimento inteiro com um só golpe. Nariko pode recolher itens e atirá-los ou mesmo usar lançadores de mísseis e canhões para derrotar hordas de inimigos.
Para além de combates velozes e elegantes, o jogo está repleto de sequências cinematográficas e de acção, e à semelhança de God of War, terás de participar ocasionalmente em mini-jogos que colocam à prova os teus reflexos e nos quais um só botão faz a diferença entre a vida e a morte. Estes eventos são uma grande adição ao jogo, mantendo a adrenalina e o espectáculo em níveis sempre explosivos.
Em alguns momentos do jogo assumes o controlo de Kai, a guarda de Nariko armada com uma poderosa besta. Podes disparar uma flecha se premires o botão Quadrado e, com o Comando sem fios SIXAXIS, adoptar a perspectiva da flecha para controlares o seu percurso em direcção ao alvo. Trata-se de algo particularmente divertido e um exemplo fulgurante da utilização da sensibilidade de movimentos do comando sem fios; irás querer regressar a várias secções do jogo e reviver a experiência uma e outra vez.
Um jogo à parte
Os inimigos são bem concebidos e difíceis de derrotar. Cada um deles pode atacar em diferentes posições e, como tal, Nariko terá de adoptar a mesma posição no contra-ataque — isto significa uma jogabilidade extremamente táctica no calor da batalha. Os vilões são magníficos: grotescos, insensatos e com um verdadeiro sentido de mal. A isso muito se deve o elenco extraordinário, com Stephen Berkoff (O Caça Polícias, 007 — Operação Tentáculo) e Andy Serkis (O Senhor dos Anéis, King Kong), um argumento fenomenal da autoria de Rhianna Pratchett (filha de Terry Pratchett) e uma direcção de actores imaculada a cargo do próprio Serkis.
É esta atenção ao detalhe que eleva Heavenly Sword ao estatuto de filme interactivo, sem deixar de ser uma experiência de jogo absolutamente soberba. Os gráficos são estupendos e a banda sonora (do músico e compositor Nitin Sawhney) é épica e arrebatadora, conferindo uma sensação de grandiosidade à história. Mas é o argumento empolgante e as extraordinárias actuações que te envolvem no jogo e te mantêm colado ao ecrã para descobrires o que acontece ao rei Bohan, a Nariko e à Heavenly Sword. Sem meias-palavras: Heavenly Sword é obrigatório para todos os proprietários de uma PlayStation 3 e um título que mostra em grande força, não só as verdadeiras capacidades do sistema PS3, mas o próximo nível do entretenimento interactivo.